algumas capas de livros infantis holandeses, de 1810 a 1950

•Novembro 10, 2009 • Deixe um comentário

4070556657_e5f45ce7a64071288588_53ef4d28d74071289234_96d5738dcc4071314354_447855756c
Em http://bibliodyssey.blogspot.com/2009/11/dutch-covers.html

o problema do autor

•Novembro 10, 2009 • Deixe um comentário

11_letters72

apanha de tabaibos – dr. ptn

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

P9110407

o problema do jornalismo

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

«It would be hard to find a less promising country in which to start a newspaper than Portugal. Not only are readers defecting to the Internet, as they are elsewhere, but relatively few people ever picked up a paper to begin with. And print advertising has plunged by more than 40 percent this year.»

Eric PFanner, «New York Times», 8 de Novembro 2009

apostas propostas – eudora welty

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

eudoraDias 11 e 12 de Novembro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Eudora Welty estará em destaque e a debate. Nascida no Mississipi, em 1909 (falecida em 2001), Welty é hoje considerada uma das autoras mais proeminentes da literatura norte-americana do século XX. «Os Ventos e Outros Contos» é uma antologia que agrega textos representantes das diversas fases da sua carreira literária desde 1941 a 1963, numa variedade estilística que atesta o seu génio. A escrita weltiana é caracterizada por uma visão humanista, por um sentido de irmandade para com homens e mundo, no modo como descreve situações do quotidiano, conferindo-lhes uma ressonância poética, próxima do realismo mágico.

os suicidas

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

86.
pegou
em todas as ausências
e deu o nó.

apostas propostas – kings of convenience

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

Kings of ConvenienceNão será pop, será popy, não será easy listening, mas é seguramente um outro álbum dos Kings of Convenience que agradará a uma primeira audição. Declaration of Dependence traduz, por conseguinte, o quão bem funcionam em conjunto Erlend Oye e Eirk Boe, que voltaram a encontrar-se para o seu terceiro disco de originais. Em escuta, treze canções repletas de simplicidade, emoções e um não-sei-quê de candura original absolutamente desarmante. Less is more, eis a máxima seguida pela dupla norueguesa. É certo que não há novidade, mas também não há desilusão.
Declaration of Dependence, EMI Music

existessenciais e que tais

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

6. Gaiola é estabelecimento prisional para homossexuais?

apostas propostas – «milton», de william blake

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

blake«Milton» é o título com que a Antígona dá continuidade à publicação das obras de William Blake (1757-1827, artista e poeta), ainda e sempre pela experiente e poética mão de Manuel Portela. «Milton» encena a viagem de autodescoberta e renovação do herói que lhe dá título. No primeiro livro do poema, John Milton regressa do céu ao mundo dos mortais. Sob a forma de um cometa, penetra no corpo de William Blake. A relação entre o poeta vivo e o seu predecessor dramatiza as pulsões contrárias da consciência individual, e uma luta sem tréguas pela afirmação da imaginação e da visão contra a mera exterioridade do mundo material. No segundo livro, Milton une-se à sua emanação feminina, Ololon, progredindo em direcção à superação apocalíptica das divisões entre sexos, entre vivos e mortos, e entre a consciência humana e as suas projecções alienadas no mundo exterior. Este enredo integra inúmeras referências e alusões, que vão desde a Bíblia à vida pessoal de Blake, em particular a difícil relação com o seu mecenas William Hayley.

quando por vezes realidade e ficção andam próximas – a propósito do brasileiro que foi ao seu funeral, publico aqui um excerto do último romance que escrevi em que o protagonista passa por algo do género…

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

«Entrei de óculos escuros e vagueei pelas campas à procura do meu corpo… Creio que na altura nem me dei conta de quão bizarra era aquela cena, um homem à procura de si mesmo no cemitério! E tinha eu ficado surpreendido com as leituras dos contos no Clube do Belo. Pois ali estava eu, uma espécie de morto-vivo caminhando por entre túmulos e ténues vozes de lamento e choro, em busca da minha última morada. Como seria ela? Teriam os meus amigos e conhecidos, quem sabe os meus leitores – poucos, mas enfim… –, realizado alguma colecta para me concederem uma campa minimamente digna? Perpassei os olhos por centenas de campas, mas nada, nem sinais de mim. Ter-me-iam cremado? Não tinha deixado nenhuma vontade escrita nesse sentido, pelo que alienei a hipótese. Porém, tinha sido ali que eu fora enterrado, lera-o nos jornais no dia seguinte à minha morte. Portanto, eu teria de estar por ali algures. Mas onde? Incapaz de me descobrir decidi perguntar à entrada do cemitério, a um homem que me parecia responsável fosse lá pelo que fosse ali dentro. Perguntei-lhe pelo meu nome, pela minha campa, ao que ele, fúnebre – parecendo que esse seu ar e a sua postura faziam parte de um ‘livro de estilo’ da profissão –, entrou dentro de um pequeno casinhoto, voltando com um grosso e negro livro de registos na mão. Folheando-o à minha frente, lambendo o dedo indicador direito entre uma e outra página, ainda perguntou
Quando foi mesmo que o senhor morreu?
dizendo-o sem saber que ao fazer a pergunta era ao morto que se dirigia… Disse-lhe a data e ele avançou nas páginas.
Ora, ora, deixe cá ver… sim, sim, cá está, cá está ele. Tem razão, o senhor morreu, está efectivamente morto. Talhão 87, Campa 735. O amigo vai por este corredor até ao fundo, ali onde está aquela capelinha, está a ver? Aí, vire à direita, faça esse carreiro e ao fundo, também do lado direito, estão as campas rasas. Não tem que enganar, se não o descobrir logo, pergunte ao coveiro, acho que ele anda lá agora a desenterrar umas ossadas que a bicharada já digeriu.
Agradeci e retirei-me engolindo em seco.
Bicharada? Digerido pela bicharada?!… Campas rasas?! Não mais do que uma campa rasa, assinalada com o meu nome numa tosca e singela tabuleta?… Preferi não ver, preferi não ir. Aquilo já era uma machadada suficiente. Mas fui, a curiosidade mata, por mais que o saibamos não sabemos resistir-lhe e eu, que já estava morto, foi como se tivesse morrido uma segunda vez. Ao olhar para o solo sob o qual se encontrava o corpo do ministro, verti duas lágrimas e fui-me embora, triste e derrotado, mas disposto a ir em frente com a minha nova vida. “Só a morte desperta os nossos sentimentos”, escreveu Albert Camus, a mim, aquela visita provou-me isso mesmo, para o mal, enchendo-me o coração de um vazio imenso, e para o bem, levando-me à decisão de viver os meus futuros dias com todo o meu empenho e emoções. Afinal, eu era um ministro e se o era pelo menos iria viver como um ministro. Ao sair do cemitério, reparei numa loja de flores do outro lado da rua. Pensei em ir comprar-me um ramo, mas achei que isso seria demasiado triste.»

o problema do autor – john fante

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

fante«Uma oração. Claro que sim, uma oração: por razões sentimentais. Ó Deus Todo-Poderoso, perdoa-me o facto de me ter tonado ateu, mas já leste Nietzsche? Oh, que livro aquele! Deus Todo-Poderoso, quero ser justo contigo. Façamos um trato. Se fizeres de mim um grande escritor, regressarei à Igreja. E suplico-te, querido Deus, mais um favor: faz a minha mãe feliz.»

John Fante, «Pergunta ao Pó», Ahab edições

apostas propostas – james ensor ou porque é que não estamos em paris

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

ensorAté 4 de Fevereiro de 2010, o parisience Museu d’Orsay, conjuntamente com o MOMA, consagra uma retrospectiva à obra do pintor e desenhador belga James Ensor. Um convite à descoberta de uma obra eclética e polimórfica, estranha e audaciosa. Nascido em Ostende em 1860 e falecido em 1949, o artista deixou uma obra complexa agora dada a conhecer num percurso por quatro etapas da sua vida e produção artística.

existessenciais e que tais

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

5. Será possível a um músico negativista compor sinfonias? E poderá um compositor paralítico compor um andante?

apostas propostas – seu jorge

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

SEU JORGEReúne canções como «Trabalhador», «América do Norte», «Burguesinha», «Tive Razão» ou, entre muitas outras, a brilhante «Mina do Condomínio». De Seu Jorge, chega ao mercado este muito recomendável «América Brasil ao Vivo», corolário de um ano de estrada cheio de concertos que lhe valeu o Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de MPB 2008. Gravado no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, em 31 de Janeiro do ano corrente, num cenário tropicalista em que os músicos surgiram em palco na pele de «trabalhadores brasileiros» (cozinheiro, polícia de trânsito, índio aculturado, palhaço) por contraponto a um Seu Jorge trajando à executivo, este é um álbum que celebra a inventividade e boa-disposição da música brasileira. Nota especial para a participação de Damien Rice no tema «The Blower’s Daughter», que na versão «É Isso Aí» foi um sucesso no dueto do cantor com Ana Carolina.
Edição EMI

ptneves no www.pnetliteratura.pt – francisco josé viegas

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

mar«O Mar em Casablanca»
De Francisco José Viegas
Porto Editora, 234 páginas

«Simplesmente, limitava-se a observar que o tempo passara.» O tempo passara. E com ele Jaime Ramos, o detective lavrado pela imaginação de Francisco José Viegas, protagonista de livros e aventuras outras que não esta, «O Mar em Casablanca», que agora nós traz de volta aos dias e andanças do circunspecto inspector. Ainda no activo, a braços com novos mistérios, novos casos de homicídios, Jaime Ramos encontra-se, porém, no Outono da vida, pelo menos da vida profissional: «Daí a quatro anos entraria na recta final da sua carreira»; donde que evitasse chatear-se com coisas de somenos. Nomeadamente: corredores, inquéritos arriscados, casos de corrupção, enfim, toda uma série de chatices desprestigiantes da carreira e, diria, «do próprio crime». «A polícia apostava nos jovens» e Ramos sabia disso, pelo que, olhando para o passado nos reflexos do presente, se limitava «a observar que o tempo passara». Iniludível, infame.

Não espanta, por conseguinte e por tudo isto, que a toada deste livro, desta intriga «a dois mortos» que envolve Ramos, e que, virá a saber-se, «mete Angola e dinheiros», se tinja de uma melancolia típica de quem, vendo chegar o fim da linha, olhe para trás conferindo as contas do passado. Um olhar para trás sem raiva, retenha-se, pois Jaime Ramos não se revela homem de aziagas recordações e azedas memórias. A narrativa desta história decorre pois numa cadência apaziguada, pacificada. Os dados dos crimes em mãos jogam-se aos olhos do leitor à medida que se escoam pelas páginas as memórias de Ramos. Tepidez, o melhor termo para dizer deste desfiar será esse, a morna e branda tepidez com que Francisco José Viegas consegue impregnar-nos, numa gestão muito bem conseguida entre intriga criminal, por um lado, e o destilar do passado de Ramos, por outro. O Outono, sempre a toada outonal a desprender-se das páginas.

Propósito duplo nessa estratégia. Primeiro, ir cozinhando habilmente o mistério das mortes por resolver, entregando ao leitor indícios, pistas, factos avulsos de um puzzle desconexo por deslindar. Depois, aproveitar as deixas para ir reflectindo um passado cheio de geografias, nomes, tempos e ideias outras. O seu tempo de juventude, a aproximação ao Partido (primeiro em África, depois no Porto), a relação complexa com Emília, os difíceis tempos da guerra do Ultramar, a relação com Rosa, o Douro e as suas paisagens, as vindimas, o calor infernal do Pocinho, as montanhas e os vales da sua adolescência, tudo corre pelos silêncios de Jaime Ramos, tal como correm dados e geografias outras pelos mapas de vida das suas personagens. E, no entretanto, o conferir das informações veiculadas pelos prestáveis José Corsário e Isaltino de Jesus (este, diz-se a páginas tantas, aparentando «um cão obediente e fiel»), no entretanto, no mais íntimo dedutivo de Jaime Ramos, o desmontar dos mistérios, a lenta construção interior dos puzzles da morte.

Nostálgico quanto baste, Jaime Ramos não perdeu ainda, apesar de tudo, a sua fina a apurada capacidade de ler o mundo no presente, fazendo uso, para o efeito, das suas reconhecidas capacidades de ironia crítica. Seja quando uma personagem pergunta a Ramos se ele vai continuar a fumar («Eu? Sim. Incomoda-o?» – e o outro responde: «Não. É que assim também fumo. Há muito tempo que não fumava um cigarro com protecção da autoridade.»), seja quando se tecem considerações futebolísticas (sobretudo a respeito da compreensão a ter por quem seja Sportinguista…), ou ainda nas diversas observações sobre o mundo dos jornalistas e do jornalismo em geral («Antigamente, um jornalista era um jornalista, indicávamos-lhe a mesa dos jornalistas, ao canto, onde podiam fumar antes da sobremesa e beber mais um pouco. Hoje misturam-se muito.»), bem como a respeito dos tiques e hábitos burgueses e afins de hoje: «… depois, nos anos oitenta, veio o turismo de habitação, vieram os snobs do vinho, vieram os gabirus, os gestores de quintas, os técnicos de marketing…».

Ao longo de mais de duzentas páginas, Jaime Ramos desvela-nos o seu passado, as suas dúvidas, apreensões, diz-nos das suas razões, do seu ser, abre-nos a sua alma como detective algum se atreveria a fazer, a não ser que confrontado com a morte no momento exacto em que esta, visitando-o, o obrigasse a rever o filme da sua vida em segundos (no caso estas páginas). Esperemos que disso não se trate e que os poucos anos que lhe restam de carreira ainda lhe guardem muitos casos por deslindar. De outro modo, que o Inverno a vir lhe seja grande antes que um imenso mar branco venha abater-se sobre o filme da sua vida. E, já agora, se possível, um longo Inverno povoado de cadáveres quanto bastem, armas, ardis e o mais que preciso for pela frente. E sim, claro, que para o efeito cumpra Ramos os prescientes avisos do seu médico, que leve, enfim, uma vida saudável, nada de tabaco, álcool, stress, pão integral e saladas às refeições, está de ver. Religiões orientais? Enfim… não será necessário chegar a tanto.

A intriga, por fim: tenha o leitor dois crimes em cenários paradisíacos, de luxo. Um, no Hotel Palace do Vidago, em festa de despedida, à qual comparece, embora sem ser convidado, um ex-jornalista de Economia, Joaquim de Sousa Seabra, que no final da festa aparece morto no exterior do hotel, num lago cheio de líquenes. Outro, numa antiga quinta vinhateira das encostas do Douro, onde surge o cadáver de Benigno Mendonça, preto, angolano que se dispôs comprar a propriedade em causa, «alvejado durante o sono», morrendo em tranquilidade, um «corpo apenas», «um negro morto e abandonado na cama de uma casa de turismo rural». Dois crimes, dois mundos, duas vidas com portugueses dentro, estórias que a História forjou. O resto deixa-se ao leitor o trabalho de imaginar. Como diz Jaime Ramos a páginas tantas, «… só podemos imaginar, é o que nos resta.» Imaginar, por exemplo, o mar em Casablanca, imaginar o mar que não se vê em «Casablanca». Mas, afinal, «como é o mar em Casablanca?»

apostas propostas – cecilia bartoli

•Novembro 6, 2009 • Deixe um comentário

untitledA cada novo disco Cecilia Bartoli surpreende, reinventando-se nas interpretações, buscando sempre novos motivos de interesse a explorar musicalmente. Desta feita, interessaram-na os Castrato, que marcaram uma época na História do Bel Canto, que fizeram escola em Itália (Nápoles era considerada uma fábrica de castratos) e que tiveram em nomes como Farinelli ou Porporino os seus expoentes. Neste soberbo Sacrificium, Cecilia recupera algumas das mais famosas composições escritas para voz, três delas num segundo CD, contendo árias de Broschi, Handel e Giacomelli.
Sacrificium, Universal Music

existessenciais e que tais

•Novembro 5, 2009 • Deixe um comentário

4. Era um cavaleiro andante e insistia em inscrever-se na prova de marcha. A organização do evento negou-lhe o intento considerando que ele partiria com uma vantagem à cabeça.

apostas propostas – editors

•Novembro 5, 2009 • Deixe um comentário

EditorsThe Back Room, dos Editors, editado em 2005, foi uma das melhores pedradas no charco da alt-pop dos últimos anos. No segundo álbum, An End As a Start, lançado dois anos depois, a banda de Tom Smith reincidia na excelência, reiterando a aposta do grupo num som pós-punk alicerçado numa linha de guitarras muito eficaz, não abdicando de linhas melódicas muito pungentes. Agora, ao terceiro álbum, os Editors realinham baterias, investindo no domínio da electrónica e sintetizadores. A toada ‘negra’ continua latente, há porém mais alegria e descontracção nas canções.
In This Light and on This Evening…, Edel

«está só?» – um conto indágora acabadinho

•Novembro 4, 2009 • Deixe um comentário

- Está só?
Aproveitei a deixa e contei-lhe tudo, a minha vida toda, ansioso e desesperado que andava por desabafar com alguém, com o primeiro que me aparecesse pela frente e desse mostras de me querer ouvir. Sentei-me e deitei tudo para fora. Não me fiz rogado, fui ao princípio. E contei-lhe como chegara até ali, do porquê do meu desespero. Já que me perguntava… Nem hesitei. Contei-lhe tudo em jeito de confissão, quase me entregando nos bons favores do tempo que disponibilizava em ouvir-me. Confessei-me como todos aqueles palermas que concorreram comigo ao «Felicidade, Mito ou Realidade?» se confessaram, abrindo as suas vidas como um livro, aos tipos da produção. Que diabo, eu queria ser feliz, queríamos todos ser felizes, mais, queríamos mostrar aos outros que éramos felizes, esfregar-lhes nas caras a nossa felicidade, a minha felicidade. E solícitos como cães abandonados respondemos a tudo, vida íntima, privada, passado e presente, o futuro também, expectativas, ânsias, desejos. Eu também, a despejar sem qualquer pudor a minha vida, entregando todos os meus pequenos segredos, dispondo sobre a mesa as cartas todas, desvelando o baralho completo de uma existência cinzenta, embora feliz, assegurava-lhes. Como alcançara a felicidade? Porque queria ser mais feliz? O que me faria mais feliz? Achava-me capaz de alcançar a felicidade absoluta? O que pretendia fazer com ela uma vez alcançada? Alguma vez me sentira próximo da felicidade absoluta? O que era ser feliz? O que era a felicidade? Achava-me digno de ser feliz? Achava-me merecedor da felicidade? Porque achava que a minha felicidade era melhor que a dos outros? Achava-me capaz de compartilhar a minha felicidade? A felicidade era na minha perspectiva um conceito tangível? Ah, tantas perguntas, eu só queria ser feliz, só queria dar a conhecer a minha felicidade, a minha alma rejubilante, bolas, só queríamos ser felizes e gritá-lo ao mundo! E o que tínhamos feito por isso? Disse que era um estado de alma, uma espécie de profissão de fé, havia que acreditar. Dei uma de intelectual, respondi que a felicidade para mim não constituía um fim, antes era um estar a caminho. Concorria porque me sentia feliz e queria partilhar a minha felicidade que tinha por exemplar. A um álbum de fotografias de mim e da minha família, mulher e filhos, tinha posto o título «Happy Family» – contei. E depois desfiei a meada da minha vida. A infância feliz, a adolescência feliz, a entrada feliz na vida adulta, o casamento feliz, a entrada feliz no mundo do trabalho, a felicidade ímpar dos filhos. Bolas, se havia alguém feliz era eu, nós, os candidatos, e de entre eles eu, o mais feliz de todos, o verdadeiro, o autêntico senhor contente. Enfim, assim me queria eu ver e na verdade até então assim me via. Depois de me pedirem que sorrisse, para com a ajuda de um especialista em risos e sorrisos avaliarem a franqueza e sinceridade da minha felicidade, a produção achou que eu preenchia todos os requisitos para ser concorrente ao «Felicidade, Mito ou Realidade?» e isso mo transmitiu – como se me dessem a boa nova de terem descoberto a cura para o cancro -, ao mesmo tempo que me apresentava uma minuta de contrato, cedendo direitos disto e daquilo, dispondo-me a isto e mais aquilo, comprometendo-me eu, por via da minha assinatura ali comprovada pela presença dos seus advogados que serviam de testemunha, a, em caso de vitória, a colocar a minha felicidade ao dispor dos interesses «superiores» da estação durante um período de dez anos. Assinei. Feliz, a felicidade a somar à felicidade. O concurso começou passadas três semanas, precedido de uma gigantesca campanha promocional em todos os Media e outdoors. A princípio, as pessoas julgaram estar perante uma mega-campanha publicitária de uma qualquer marca dentífrica que prometesse o sorriso perfeito com meia-dúzia de escovagens. Qual quê! Tudo marketing a funcionar, para deixar o público na dúvida e com a pulga do interesse atrás da orelha. Os sorrisos eram apenas teasers e o verdadeiro produto a anunciar apenas seria revelado no dia anterior à estreia do concurso. «Felicidade, Mito ou Realidade?». O país parou, ou não fosse estar prestes a conhecer as pessoas mais felizes à face da Terra. Não seria essa uma excelente oportunidade para tentar aprender com elas o caminho para a felicidade? Talvez até pudessem copiá-las nos seus modos de vida, quem sabe não poderiam, também elas, aspirar à felicidade? Quem sabe, pôr de lado as suas existências pacatas e incógnitas, esquecer os seus quotidianos cinzentos e pantanosos, os empregos aborrecidos, monótonos e mal pagos, o dia-a-dia sempre igual, repetitivo e sem novidades, as vidinhas rotineiras arrastando-se num pântano de existências sem cor, quem sabe? Enfim, por umas horas que fosse simular a felicidade em frente aos ecrãs, tomar de empréstimo por uns momentos o sabor da felicidade alheia. Ah, e fomos reis, sim, por momentos fomos os reis, mais importantes até que o Presidente da República ou qualquer ministro. Honras de sumárias entrevistas em directo para o telejornal que antecedia a grande transmissão, enfim a grande e ansiada estreia. «Está em condições de garantir ao país que é uma pessoa feliz? – o repórter para mim. E eu, assessorado por um elemento da produção ali ao meu lado, embora não visível para a câmara: «Com certeza. Venho de Vinhais e estou em condições de garantir que sou uma pessoa feliz.» E logo as palmas do muito público que se tinha deslocado ao estúdio. E eu a agradecer, afastando-me em leve passo de corrida – para assim dar dinâmica ao concurso, segundo me transmitiu a produção – para junto da apresentadora que era ela própria a imagem da felicidade. E logo o repórter, «em directo também para o jornal das oito, Rodrigo», tomando de assalto outro concorrente: «Diga-me, a felicidade é possível?» Ao que o concorrente: «Olhem para mim! Venho de Arcozelo e comigo, à minha imagem, teremos um país mais feliz, pelo menos enquanto não me expulsarem da casa. Viva Arcozeloooooo!», e logo palmas, assobios por entre o público feérico. E fomos todos tão felizes durante as três horas de apresentação do programa. Depois fomos para a Casa da Felicidade, como chamaram ao pré-fabricado onde nos enfiaram, quase sem contacto para o exterior senão através de câmaras estrategicamente colocadas por todos os compartimentos, até mesmo na casa de banho. E logo as conversas, regadas por aquele ânimo próprio de quem pela primeira vez se dá a conhecer ao outro, sempre com imenso para contar, em que cada palavra é uma novidade, cada revelação uma prova de amizade a nascer. Éramos na verdade todos tão felizes. Eu tinha uma família a comprová-lo, uma mulher lindíssima, dois filhos que eram uns doces – mostrei uma fotografia a comprová-lo –, um emprego fixo, e, felicidade das felicidades, escrevia até, sabiam?, sim, ficção e até poemas, podia dar-me a esse luxo, imaginavam? e, não bastasse, era editado! Já os outros, os meus concorrentes, fundavam as premissas da sua felicidade em aspectos mais frugais. Uma delegada de propaganda médica dizia-se feliz porque com o seu trabalho, ainda que de forma indirecta, estava a ajudar as outras pessoas. Um carpinteiro de Monfortinho dizia conhecer a felicidade plena porque fora iluminado com a graça de Deus, de resto, bem espraiada na sua profissão, com que, humildemente, imitava o Senhor. Um jovem de Salzedas dizia ser feliz porque conseguira abrir a sua oficina de tunning e nada lhe dava mais prazer. «Nada, nada, nada?» – perguntava, matreira, a apresentadora do concurso dirigindo-se para junto da namorada dele sentada na primeira fila da assistência, para logo em seguida, como se dando ela mesma a resposta, apresentar a dita e acrescentar: «Ah, é melhor não sabermos.» Outro jovem, com pinta de instrutor de Pilatos ou Body Combat, vinha de Minas Generais, no Brasil, e dizia ser «imensamentshi félish» porque vivia com uma mente são em corpo são e isso constituía para ele uma espécie de pedra filosofal da existência. O público aplaudiu mesmo sem perceber exactamente o alcance daquelas palavras ou o que queria o brasuca dizer com aquilo – de qualquer forma, aplaudiu, até mesmo porque o povo português é muito caloroso e simpático, em suma, é irmão. O que, justamente, o brasileiro, sensibilizado com a salva de palmas, agradeceu baixando a cabeça como se fizesse uma vénia e pondo, acto contínuo, a mão direita com o punho fechado sobre o coração, após o que olhou o público de frente e com a mesma mão lhe enviou retributivos beijos. Vlad, um moldavo radicado em Portugal havia cinco anos, dizia-se feliz tão-somente porque tinha emprego há mais de um ano, coisa que na sua terra nunca encontrara. Que sim, que isso o deixava feliz, embora soubesse que para a sua felicidade completa ainda teria de encontrar a sua cara-metade, e isto dizendo olhou com assinalável desejo uma concorrente a seu lado, a quem, descaradamente, e em directo, convidou a ir provar os seus frangos assados, na churrasqueira Pita Brasil, que ficava na Bobadela, que teria muito gosto em oferecer-lhe um franguinho, se ela gostasse, com picante… O público gostou do seu atrevimento e coragem, assobiando e aplaudindo. Dina Marquesa, a dita concorrente, sorriu e, ainda mais atrevida, logo respondeu: «Comigo, só se for picante mesmo!» O público recrudesceu os aplausos. E, acalmando as hostes, a apresentadora, puxando por ela: «Ó Dina isso não é próprio de Marquesa», fazendo um trocadilho com o nome e o apelido da concorrente, ao que esta: «Ah mas as marquesas de hoje já não são o que eram.» Nova revoada de aplausos. Semana após semana, os concorrentes eram avaliados pelo público via números de telefone, a cada qual correspondendo um número para onde chamar. Semana após semana fui ganhando as graças e favores do auditório votante, fosse porque um dos meus contendores se mostrasse demasiado feliz apenas em função dos bens materiais que tinha por objectivo de vida alcançar, fosse porque a felicidade, para a maior parte dos concorrentes, dependia não tanto deles enquanto pessoas, mas mais de aspectos exteriores ligados aos prazeres e à vida mundana. De alguma forma, o público, cioso ainda de uma qualquer réstia de moralidade perdida, premiava, ao votar em mim, aquela felicidade que se tinha por mais pura. Bastava que, num dos vários directos, eu falasse da minha querida mulher com a maior das ternuras e carinho, bastava que eu deixasse escapar uma lágrima ao dizer os nomes dos meus filhos, bastava até que recitasse em directo um singelo poema escrito na véspera, para que no dia seguinte o barómetro de popularidade dos concorrentes revelasse um cada vez maior distanciamento de mim para a concorrência. Até certo ponto, devo mesmo dizer, com alguma vaidade, só um concorrente que dizia ser feliz apenas por continuar a acreditar que a pequena Maddie ainda estivesse viva e que um dia haveria de ser encontrada me deu alguma luta. Porém, a sua popularidade caiu a pique a partir do momento em que anunciou ter aberto uma conta em nome próprio para receber dádivas pecuniárias que seriam destinadas «a não deixar morrer a memória da menina», no fundo, a «não deixar morrer a esperança». O público, escaldado por outras cantigas que tais dos pais da menina inglesa, desconfiou dos seus bons propósitos e deixou de votar nele. Foi, pois, com grande naturalidade que cheguei à final e acabei mesmo por ganhar o concurso. Dizia a apresentadora, na gala final, que era «a vitória da felicidade em estado puro, a vitória do amor e dos afectos». Em directo, e com os shares de audiência ao rubro, o sorridente administrador-geral da estação televisiva entregou-me um cheque de 10 mil euros, para além de um carro, um fim-de-semana nas Caraíbas em hotel de cinco estrelas para duas pessoas, um plasma de alta definição e um telemóvel da última geração. Garantia o feliz administrador-geral, nas palavras de circunstância, que era bem certo que «o dinheiro e os bens materiais não eram tudo, mas ajudavam muito à felicidade». Eu agradeci, abracei a apresentadora, que não conseguia esconder uma lágrima de emoção, e mostrei o cheque para as câmaras, ao mesmo tempo que a minha mulher e os meus filhos eram convidados pela produção a correrem para mim, abraçando-me e beijando-me entusiasticamente, no que éramos todos devidamente enquadrados por uma chuva de papelinhos coloridos que desciam do tecto enquanto tocava a música do genérico e todos, eu e todos os concorrentes iniciais, ao seu compasso cantávamos o refrão: «A Felicidade é um rio/ que eu hei-de navegar/ é como um sonho/ em que eu hei-de acordar». Se já era famoso, mais famoso me tornei. Entrevistas, entrevistas e mais entrevistas, toda a Imprensa me queria nas capas e nos ecrãs. Para ter algum descanso, fui para as Caraíbas com a minha mulher. Mas achei-a estranha quando à sombra de uma palmeira numa praia deserta e a uma calorosa investida minha se escusou a um beijo dizendo-se com enxaqueca. O tanas, ninguém tem enxaquecas nas Caraíbas! De enxaquecas se alguém percebia era eu, enxaquecas à espera de inspiração para escrever, enxaquecas de ansiedade por ver o livro terminado, enxaquecas à espera de uma resposta dos editores. Que diabo, não era ela feliz ao lado do homem mais feliz do mundo? E não fosse, a minha felicidade não lhe bastava? Foi, pois, com alguma surpresa que dela ouvi, como se um côco me caísse do nada em cima da cabeça: «Não, não sou feliz e a tua felicidade não me basta. Quero a minha, a minha felicidade, percebes?» Não percebi. Quero dizer, não percebi logo que havia mouro na costa, o mouro que haveria mais tarde de espadeirar a minha felicidade, fazendo-me perder o contrato de exclusividade que entretanto, por via da produtora e como acordado contratualmente, conseguira com algumas marcas de produtos diversos, de aforros bancários até produtos capilares. Abreviei. Quando voltámos das Caraíbas ela deixou-me para ir viver com o brasileiro instrutor de body combat que conhecera nas gravações do concurso! Acreditam nisso, o concurso que eu ganhara? O concurso no qual eu, logo à terceira semana de emissões, deixara para trás esse mesmo brasileiro, o tal da mente sã em corpo são, por quem ela me trocara? É claro que isso me deitou abaixo e é claro que a minha felicidade esmoreceu, tornando-me com os dias um homem entristecido. As revistas deram por isso, e os sacanas dos fotógrafos não descansaram enquanto não me tiraram um boneco «na fossa». Uma capa comigo a limpar as lágrimas e foi o suficiente para que os meus patrocinadores e anunciantes se fossem queixar à produtora. Logo, logo recebi uma carta dos seus advogados dizendo que, em virtude da alteração superveniente das circunstâncias, o meu contrato estava revogado. Resumiam, terminando, queriam uma pessoa feliz e eu não era mais uma pessoa feliz, em suma, eu comprometera-me a ser feliz e estava longe de o ser. Ponto final na relação contratual. De um momento para o outro a minha vida colapsava. Comecei a beber, perdi o contacto com os meus filhos, interpus uma queixa em tribunal contra a minha ex-mulher, deixei de escrever e entreguei-me à vadiagem. Deixei de falar com as pessoas, não queria ver ninguém. Meses e meses assim, à deriva, voltando para o mais dentro de mim. Certo dia não aguentei, entrei num café para almoçar e, decidido a falar com o primeiro que me aparecesse pela frente, ainda mesmo antes de me sentar para almoçar, o empregado para mim, querendo escolher-me a mesa
- Está só?
Estava. Aproveitei a deixa e contei-lhe tudo.

apostas propostas – arctic monkeys

•Novembro 2, 2009 • Deixe um comentário

Arctic MonkeysA um som pós-punk rasgado e seco, ao terceiro álbum de originais os Artic Monkeys dão a conhecer aquele que será o seu melhor trabalho. Humbug revela-se um álbum muito maduro, também mais musculado, apontando mais ao psicadelismo, o que não será alheio ao facto de contarem com produção de Josh Homme (Queens of The Stone Age) e James Ford (baterista dos The Last Shadow Puppets, a outra banda de Alex Turner) e também à sua ‘descoberta’ do legado de Jimmy Hendrix. Para ouvir, dez temas mais e mais cativantes a cada audição. Compra muito recomendável.
Humbug, Edel

«afastada», escrevem bem, tal como outrora do museu de arte antiga

•Novembro 2, 2009 • Deixe um comentário

284259«A actual directora da Casa das Histórias, o museu da pintora Paula Rego, que inaugurou há um mês, acaba de ser afastada do projecto. A decisão foi anunciada ontem à responsável, abruptamente, durante uma reunião na Câmara Municipal de Cascais. Dalila Rodrigues deverá sair no fim do ano»! – sendo que o ponto de exclamação é meu.

e agora, o que é que vamos ouvir? rádio amália?

•Novembro 2, 2009 • Deixe um comentário

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existessenciais e que tais

•Outubro 28, 2009 • Deixe um comentário

3. Cadeias de hotéis são próprias para turistas que não pagam estadia?

uma boa, notável e muito divertida sugestão de leitura para a nova ministra da educação

•Outubro 28, 2009 • Deixe um comentário

004«Os dardos ainda estavam na mesinha-de-cabeceira e a fotografia pregada na parede. Devagar virou-se para mim, pegou-me na mão, pediu numa vozinha sumida: “Não me obrigues a ir à escola, tiozinho, eu não aguento mais ir à escola!” “Quando é que acaba o atestado, desta vez?” Já tinha acabado há uma semana. “Não queres atirar uns dardos, que te sentes logo melhor?” Ela gemeu. “Não consigo pôr-me agora a atirar dardos à fotografia do 8º C! Como é que vou ter cara para os enfrentar?” “Eles não sabem que tu atiras dardos à fotografia!” “Nem podem saber!” disse ela. “É completamente antipedagógico.”»

Luísa Costa Gomes, «Ilusão (ou o que quiserem)», Dom Quixote

apostas propostas – zero 7

•Outubro 28, 2009 • Deixe um comentário

Zero 7Yeah Ghost é o novo disco dos Zero 7, projecto musical de Henry Binns e Sam Hardaker. Doze temas propõem-se continuar a até agora excelente empreitada de emprestar à pop tonalidades soul e funk, mediante, sobretudo, o convite a diversos intérpretes, casos de Sia Furler ou José Gonzalez. Agora, ingressam no projecto Eska Mtungwazi, Martha Tilston e Rowdy Superstar, e com isso os Zero 7 devêm mais electrónicos, mais experimentalistas. Mudar nem sempre é fácil, porém os Zero 7 mostram que evoluir é possível. Pop Art Blue, por exemplo, é mágico, com excelente Groove e downtempo. Aquisição segura.
Yeah Ghost, Warner Music

existessenciais e que tais

•Outubro 28, 2009 • Deixe um comentário

2. Quando soube que o seu sogro era talhante pensou duas vezes antes de pedir a mão da sua filha.

apostas propostas – micro audio waves

•Outubro 28, 2009 • Deixe um comentário

micro

drawing – dr. ptn

•Outubro 26, 2009 • Deixe um comentário

DSC00592

existessenciais e que tais

•Outubro 26, 2009 • Deixe um comentário

1.
Viva a vida
Como se estivesse
De despedida.

os suicidas

•Outubro 26, 2009 • Deixe um comentário

85.
digamos
que passou a ter com o silêncio
uma relação de necessidade constante.

apostas propostas – air

•Outubro 26, 2009 • Deixe um comentário

AirO ar, a graça, a essência do som original, tal como revelado nos incontornáveis Moon Safari ou em Pocket Simphony, está lá; lá, leia-se, no novo e quinto álbum de originais dos Air, Love 2, agora chegado ao mercado nacional. Psicadelismo pop-electrónico, alt-new wave atmosférica, algures por estes terrenos deambulam as sonoridades da dupla francesa constituída por Nicolas Godin e Jean Benoît Dunckel. A divergir dos seus antecessores, este novo trabalho dos Air ‘ganha’ em energia e vitalidade, sobretudo numa aura de alegria, sem contudo perder a sua faceta meditativa e cinematográfica.
Love 2, EMI Music

ptneves no www.pnetliteratura.pt – jaime freire

•Outubro 24, 2009 • Deixe um comentário

japJaime Freire
«A Japonesa Nua»
Edição de Autor

Japonesa nua? Não há. Quando muito uma tatuagem oriental. Convidativa, lasciva q.b., desenhada no sítio certo. Mas a que propósito então japonesas, sobretudo quando não as há? A propósito do livro recente que Jaime Freire acaba de publicar, justamente assim intitulado, A Japonesa Nua, em edição de autor. Quase romance, novela breve, enfim, o que se queira chamar-lhe, importa aqui a referência por se tratar de texto sui generis. Porno, assumidamente porno, assuma-se também aqui, e quem na qualidade de púdico ou sensível se tenha por aqui se fique na leitura da recensão em curso, pois certamente não estará perante o livro indicado para si. Temos, pois, ‘coisa’ relativamente nova e distinta no meio literário português. Na literatura portuguesa quase não há sexo, quanto mais pornografia – embora, contudo, e bem certo, seja pornográfico o modo como alguma literatura se publica e vende, mas isso são outras loiças. Porno, pois, e talvez por aí se compreenda a decisão de Jaime Freire em avançar com uma edição em nome próprio, isto apesar de eu desconhecer se o autor tentou a sua publicação numa chancela empresarial – o que talvez tenha feito, até porque muito em breve estará à venda o seu romance Geladas Brumas (entretanto já editado e disponível nas livrarias) mesmo que se de maior fôlego, sabemo-lo.

Adiante. O género (explícito) ajuda tão-somente, se preciso fosse, a perceber o título. O orientalismo inerente ao gentílico «Japonesa» encerra, desde sempre e ainda hoje, um quê de mistério e exotismo que o «nua» muito mais acentua. Desejando ir mais longe nas elucubrações, diria ainda que o carácter contido do relato – que não é romance nem deixa de o ser, que não é novela nem deixa de um ser – se aproximará, conceda-se o devaneio, no seguimento dos intróitos nipónicos supracitados, de uma narrativa-haiku. Donde, desde logo, decorre que a trama logo se impõe às primeiras páginas e parágrafos, sem grandes intróitos, sem delongas, sem escolhos à definição das personagens e à instituição da intriga. Com o protagonista, Filipe, um relativamente falhado guionista de cinema, enveredamos numa breve viagem de férias rumo a Moledo do Minho, típica estância veraneia a norte do pátrio burgo, a passar uns dias em casa de casal amigo, este bem-posto na vida, vivendo à grande e à portuguesa. Antes da chegada, porém, logo a «pedra ao caminho», o detonador da acção futura a saltar-lhe para a vida: uma mulher, o rosto e corpo da perdição, o pecado no clássico feminino. E um nome de arraso: Laura Janeiro (apelido ingénuo? Talvez não, olhando à sua raiz, Janus, nome no qual se fundem passado e futuro…).

No seguimento dos acasos não fortuitos (está visto), um pedido de informação à chegada e tão-logo a queda incontornável no abismo desconcertante do sem-sentido das emoções. Depois, um olhar cruzado na noite das esplanadas bastará para a consumação da tragédia. Tragédia pessoal, diga-se. Tragédia como recorrência ao homem face ao «buraco negro» feminino. Eterno retorno? Sem dúvida, a história repete-se, Fukuyama só se confundira na área de análise. Filipe é, desta feita, a vítima, a sombra que se segue, eventualmente a sombra de si mesmo na medida única em que o homem se faz a si próprio no seio da sua história. Pelo meio de todo este cenário, um carnaval de folguedos no meio de uma algaraviada de ais, uis e quejandas sulfurações, arfares e reverberações de prazer. Cavalgando Laura, Filipe perde-se, confunde-se e depois insurge-se contra o argumento habitual destas histórias, que, como se sabe nos casos afins, termina invariavelmente com um grande balde de água fria, gelada mesmo. Como acontece! O amor cega e Filipe cegou. E como ele, vem a sabê-lo em noite de afogar de mágoas com o seu anfitrião, também este já antes vítima da mesma mulher, anjo caído na mesma e exacta desmesura de amores de perdição.

De coração despedaçado, vale a Filipe um outro anjo, Lola, mas um anjo tipo Valium ou Aspirina, apenas para diluir os sintomas do mal. Vale-lhe, enfim, o regresso, o eterno regresso ao normal fluir dos dias, à vidinha de província, corriqueira, cinzenta, até que um outro Verão venha, um outro fortuito olhar num outro esbarre, aspergindo, como passe de magia, a dor das memórias passadas, cerzindo as cicatrizes do passado e pintando no calor dos dias um outro arrepio de amor e perdição. E assim por diante, na maré do ir e vir dos amores perdidos, das dores somadas, das esperanças esfumadas, no deve e no haver do existir.

Para que conste, Jaime Freire, jurista de formação, nascido em Lisboa e a viver na Figueira da Foz, tem até ao momento quatro livros publicados, todos eles de alguma forma subterrâneos ou pelo menos marginais ao mediatismo sempre obtido pelas grandes chancelas. São eles: O Homem da Superfície (Editorial Escritor); Conversa na Ilha da Jana (Black Sun Editores, 1998), Os Dragões de Komodo (Black Sun Editores, 2001), Any Time Is Tee Time e Outras Histórias (Angelus Novus, 2003). Segue-se, como atrás avançado, a publicação de Geladas Brumas, com o selo da Gradiva.

de carreirinha!

•Outubro 24, 2009 • Deixe um comentário

Carreira das Neves – 0 / José Saramago – 5

pulido valente – o pior cego é o que não quer deixar de o ser

•Outubro 23, 2009 • Deixe um comentário

VascoPulidoValenteA crónica de Vasco Pulido Valente, hoje publicada no «Público», com as habituais honras de contracapa, é em tudo elucidativa quanto à cega arrogância da generalidade dos cristãos e, sobretudo, da Igreja enquanto instituição. Aquilo que sempre mais me incomodou no dirimir de argumentos a favor e contra a fé cristã é a incapacidade daqueles que são crentes em confrontar-se com a incredulidade alheia. Eu, ateu, respeito a fé dos cristãos, já a estes, pedir-lhes que respeitem o meu estado de incréu é coisa bem mais complicada. Questionar, pois, os rudimentos, as permissas, as formas, as bases, as ideias da Bíblia, devém assim, quase no imediato, um pecado, uma afronta, um sacrilégio. Tanto mais se for pelo riso, que, como se sabe, é o antónimo de Igreja. Adiante. Na suposta e pretensa detenção da Verdade Única, a Igreja, que gosta de se dizer aberta ao diálogo, renega pela rama qualquer hipótese de questionamento ou de dúvida. No mais, quando alguém o faz, como agora Saramago, lá vêm sempre as mesmas respostas incomodadas: ou o autor das dúvidas ou críticas não tem capacidade intelectual suficiente para o fazer, ou está animado de má-fé e vontade de ofensa. É o que faz Pulido Valente nesta sua crónia ofensiva, animado, sim, ele, de uma verve inquisitorial e redutora sobre Saramago: «São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja.» Razões de política?! De inveja?! Mas quem é que no seu perfeito juizo tem inveja de ser padre? «Patetices», diz Valente, escudado na sua arrogância moralista e castradora do Outro, daquele que pensa de modo diferente dele. E, claro, uma vez mais sobre a Bíbilia e os epidódios de violência gratuita, moral e física, que estão no texto das sagradas escrituras, nada, ou antes, a velha justificação: o simbolismo dos actos, o profundo mistério da palavra do senhor que, é sabido, escreve direito por linhas tortas – quanto a mim, escreve muito mal direito por linhas tortas e retortas (o senhor, é mais que certo, jamais ganharia o Nobel da Literatura, o da Paz, idem aspas, claro). Valente vai mais longe, surze da qualidade literária de Saramago, zurze, claro está, inchado de dores de cotovelo. E é extraordinário como o bom senso que diz faltar a Saramago lhe sobeja a ele, colmatado, está visto, por uma sobranceria sem nome, própria de quem se acha génio em terra de gente burra, de quem se crê iluminado em terra de cegos. Uma frase resumiria na perfeição esta crónica de valente: Ensaio sobre a cegueira. Meu caro Valente, «olho por olho, dente por dente» (saberá com certeza donde vem o dito), ou como escreve e bem Saramago, «… quem mas fizer, paga-mas, eu sou o senhor.» O pior, caro Valente, é que o tempo de ter medo das palavras já se foi há muito, tal como o tempo das vénias.

apostas propostas – desgraça

•Outubro 21, 2009 • Deixe um comentário

DESGRACA_AFBaseado no livro com o mesmo título, da autoria do escritor J.M. Coetzee, estreia amanhã, quinta-feira, dia 22 de Outubro, nas salas de cinema portuguesas, o filme Desgraça, realizado por Steve Jacobs e com John Malkovich como principal protagonista.

apostas propostas – sting

•Outubro 21, 2009 • Deixe um comentário

StingDiz Sting, a propósito da edição do seu novo álbum a solo, If On a Winter’s Night…, que os Invernos de hoje, em consequência do aquecimento global, já não são o que eram. Apesar disso, essa continua a ser a estação preferida do ex-Police, cujas memórias de infância se encontram repletas de neve e frio. Talvez por isso desde há uns anos Sting tem o hábito de refugiar-se numa casa que comprou na Toscânia, onde noites há em que o frio ainda enregela, onde as noites ainda convidam ao quente dos cachecóis e das lareiras. Foi aí justamente que o músico gravou este novo e belíssimo disco, onde há lugar para duas composições inéditas e para um leque de excelentes recriações de canções de natal, músicas de embalar, tradicionais das ilhas britânicas e temas compostos sobre melodias de compositores ‘clássicos’, casos de Purcell, Schubert ou Bach. Como o Inverno é também sinónimo de Natal, as canções neste álbum estão cheias de reverberações cristãs, bem como as histórias bíblicas servem de mote a outros temas – apesar de ateu, Sting diz respeitar e admirar o imaginário cristão. A acompanhá-lo, sete músicos de eleição: Kathryn Tickell (flautas e violino), Julian Sutton (melodeon), Dominic Miller (guitarra), Mary MacMaster (harpa celta), Vincent Ségal (violoncelo), Ibrahim Maalouf (trompetista) e Daniel Hope (violinista). A finalizar, registe-se o magnífico trabalho gráfico de apresentação deste álbum, com textos explicativos da génese e proveniência de cada canção, as respectivas letras, bem como diversas fotografias. Cereja no topo do bolo, um DVD apresenta, em seis capítulos, as diversas fases de produção do álbum. Em suma, Natal antecipado!
If On a Winter’s Night…, Universal Music

quasi

•Outubro 21, 2009 • Deixe um comentário

As Quasi Edições terminaram. Fico triste com a notícia de quem tanto fez pela nova poesia portuguesa.

até porque, na realidade, a bíblia…

•Outubro 21, 2009 • Deixe um comentário

massacreEstá cheia de crueldades…
… de vinganças…
… de ódios…
… de ordens e mandamentos vis…
… de violência gratuita…
… de sectarismo…
… de racismo…
… de moralismos…
… de condenações…
… de incongruências…
… de proibições…
… de ameaças…
… de medo!

Isto está lá. Pode estar lá mais alguma coisa, mas tudo isto, os tais ‘maus costumes’ de que Saramago fala, está lá. Santa paciência, mas está.

dos descendentes de sousa lara e outros saudosos da inquisição que tais – chama-se mário david e diz que a saramago deveria ser retirada a nacionalidade

•Outubro 21, 2009 • Deixe um comentário

mario_david_Este senhor é o vice-presidente do Partido Popular Europeu, este senhor é eurodeputado social democrata, este senhor não pensa, dispensa. A este senhor, sim, deveriam talvez retirar a identidade portuguesa. Agora, desculpem, vou ali vomitar sobre o nome deste senhor.

ptneves no www.pnetliteratura.pt – luandino vieira

•Outubro 14, 2009 • Deixe um comentário

luandino«O Livro dos Guerrilheiros»
De José Luandino Vieira
Caminho, 108 páginas

Kene Nvua, ou Diamantino Kinhoca, é um ex-guerrilheiro angolano, anti-colonialista, combatente de muitas lutas, camarada de muitas caras de batalha. Kene Nvua é o nosso narrador de serviço no lembrar da história, no fazer presente das muitas pequenas histórias que somam a grande História. Ele será o contabilista de «errores e tribulações», dos «muitos sofrimentos» pelos quais o seu povo passou, ele será o escrivão do deve e do a haver de vidas muitas «e não menos mortes». Morte, sim, porque este é um livro sobre a guerra, sobre a luta, aquela travada pela independência angolana, logo um livro sobre a morte, sobre a dor. Um livro sobre uma história com data marcada, porque, como diz José Luandino Vieira, por interpostas personagens, o sonho na base da luta era um sonho de sempre, «perseguindo teimosamente seu trilho de muitos séculos», «colheita prometida muito tempo já».

A guerra, por conseguinte. Aquela começada nos idos do Março de 61 e n’«as confusões do quatro de Fevereiro». História, portanto, contada a vermelho-sangue, terrível, feia, feita puro horror, assim esventrada nas palavras-catanas do escritor: «Ora naquele ano de sessenta-e-um, Março, fez a morte grande messe de vidas. (…) Por isso que só as flores dos cafezeiros permaneceram brancas, todo o verde das matas do Norte s’anoiteceu de sangue. Tinha mortos pelos caminhos, picadas e estradas. Sem itinerário. Pendurados das árvores ou semeados pelos capins, pasto dos pássaros.» Ou ainda, não menos morte: «Brancos; mulatos; negros – colonos e assimilados e gentios; altos, baixos, esquartejados e inteiros. Todos, porém, mortos matados. Cabeças espetadas em paus, rota de formigas. Queimados. Crianças, nascidas e nascituras.» E o muito mais, estropiado num dizer de palavras que queimam o só de imaginar. Tanto que «nesse ano, teve a terra demasiado morto a estremecer as raízes debaixo do sol; tanto que até a chuva ficou presa nas nuvens, medo de cair.»

É neste ambiente de um contar vivo de memórias feito e vivido, experimentado na pele do não-esquecimento, que Luandino Vieira volta à edição, com este segundo volume da trilogia «De Rios Velhos e Guerrilheiros». Nas mãos, na boca, nas palavras, a guerra, pano de fundo de um passado que não se gasta sequer tentando esquecer. Uma guerra também nossa, portugueses leitores, mas nem sempre conhecida senão pelo modo como nós a vivemos e vimos, portanto tão-só e apenas de uma perspectiva unívoca. Mas a História tem sempre dois lados. O outro lado desta guerra que foi nossa, e também do Outro, é-nos por este, e pela voz de Luandino, ora dita, escrita e passada a papel. Para que não corra perigos de esquecimento ou erosão da memória, até porque, como é sabido, a história africana nem sempre se põe no papel, antes corre de boca em boca, de cicatriz em cicatriz, de cantiga em cantiga. Importante pois que vá ficando na suposta perenidade do papel impresso a tinta.

Mas guerra é guerra, seja vista de qualquer prisma. «É só miséria, a guerra.» Mortos sem assinatura, mortos de corpo presente, mortos que faleciam «sem deixar cadáver», guerrilheiros e homens – «ossos dispersos» – que morreram mal: «morreu mal», diz-se às tantas de um lembrado camarada combatente; morre-se sempre mal numa guerra. Porque qualquer guerra é uma história de ódios, e esta foi-o. História também de heróis, de homens que sofreram para se tornarem história, para que as suas estórias individuais gerassem o rio maior da sua história colectiva. Rio de sofrimento – há nessas estórias «sofrimento suficiente para isso» –, águas de dor, lágrimas de raiva, este não é, por conseguinte, um livro fácil. Há nele tumulto de sentimentos, emoções cruzadas, memórias incompletas, mortos por morrer, sonhos por viver. Daí também alguma nostalgia que dele, aqui e ali, se desprende, rememorando locais, as gentes, os cheiros, as cores, lembrança sempiterna do «era uma vez no tempo que não tinha minas nas picadas», do tempo em que «a gente ainda andávamos descalças de medo», tempo fugido que não escapa nunca, sequer hoje, décadas passadas, «quando a morte não é mais certeza disparada em pó e pólvora, só mina esquecida na estrada».

E neste cruzar de memórias e tempos outros, neste desmembrar de lembranças e gentes, o cruzar também da esperança com a tragédia (esta chegando até aos dias de hoje, com um presente-futuro hipotecado às mãos de generais e quejandos graduados, ex-combatentes vivendo à grande e à africana no bem-bom de luxos insultuosos e riquezas despudoradas, convivendo diária e tristemente com a miséria-fome dos que foram outrora seus irmãos de batalha). Luandino leva-nos neste livro como se caminhássemos com ele numa picada minada, ora seguindo tranquilos e apaziguados no trilho poético do seu dizer, ora deflagrando subitamente com ele no rebentamento de palavras de sangue, ódio e raiva. De sempre, dirão os críticos da sua obra, este navegar duplo pelas margens da construção poético-literária (elaborada, debruada, erudita, polissémica, por vezes complexa), aliada a uma vertente social e política subliminar ou nas entrelinhas do contado (por vezes até, disfarçada ou mascarada nalgum surrealismo de toada mítico-animista sempre ousada, sempre experimentalista, embora fiel ao imaginário ficcional africano). Breve na sua contenção, «O Livro dos Guerrilheiros» revela-se, no entanto, e por via do tudo-mais acima expresso, grande no desenovelar de emoções e sensações que gera. Livro com pele, carne e osso, pois, ou seja, aquilo que se costuma chamar literatura.

nobel de economia?

•Outubro 13, 2009 • Deixe um comentário

A propósito de nada, a propósito ainda dos prémios Nobel, a propósito de uma crise que insiste em persistir, penso em como é possível, num ano horribilis como este em curso, que o Comité Nobel tenha conseguido encontrar alguém a quem dar o Prémio de Economia! É obra.

maitê – distinta professora e escritora, estudando história de Portugal para ensinar suas amigas ignorantes de programinha imbecil – epá, dizer mal ainda é como o litro, agora cuspir é bué da feio

•Outubro 13, 2009 • Deixe um comentário

maite-proenca

os suicidas

•Outubro 13, 2009 • Deixe um comentário

83.
fez parágrafo
pegou na palavra
retirou-lhe o agrafo
e engoliu-o.

fly me… fotografia ptn

•Outubro 13, 2009 • Deixe um comentário

P9050076

roth, herta

•Outubro 12, 2009 • Deixe um comentário

Para mim, Roth ganhou. E não, não é apenas mais um escritor a contas com enredos de velhos professores babados por jovens alunas, como ontem ouvi a Inês Pedrosa na RTP2. Indignação, pois claro. Se bem que não conheço a obra de Herta Müller, ainda assim, indignação.

visionários

•Outubro 12, 2009 • Deixe um comentário

Parece que Obama ganhou o Nobel da Paz, parece também que tendo ele tomado posse a 20 de Janeiro do corrente, o prazo limite para as nomeações para o galardão, soube-se entretanto, fechava no 1 de Fevereiro seguinte!… Coisa de dez dias, mais dia menos dia. Pergunta que se impõe: então o Comité Nobel já sabia o que ia acontecer nas relações diplomáticas norte-americanas dos meses a vir?… Pois, pois é… A ver se, condicionado que fica pelas suas acções futuras, não sai a Obama o tiro pela culatra.

a boca morre pelo peixe

•Outubro 12, 2009 • Deixe um comentário

Se eu fosse esperto registava já a pérola como marca, ou então fazia um blogue com o dito.

então sotôr?

•Outubro 11, 2009 • Deixe um comentário

Sinto-me bem.
Vou aproveitar para ir ao cinema.
Passar o dia com a família.
Vou até ao bilhar grande.
Comer uma bucha.
Dar de comer ao gato…

As entrevistas com os políticos à boca das urnas são das peças jornalísticas mais deprimentes que há. Então quando antecedidas pelo servil «então sotôr?»… Chego a preferir ouvir as prédicas pseudo-intelecto-desportivas do Queirós.

algumas questões da actualidade

•Outubro 11, 2009 • Deixe um comentário

Wait, who?
Depois do anúncio do Nobel da Literatura.

I Won What?
Obama quando informado sobre o Nobel da Paz.

Autárquicas, para quê, não fica tudo na mesma?
A confirmação de uma velha máxima política.

rente ao amor

•Outubro 9, 2009 • Deixe um comentário

P9070274