o silêncio é um corredor que vai dar a muitas salas

No Câmara Clara, há pouco, Alberto de Lacerda lembrado por Luís Amorim de Sousa. À estante vou respigar este «Transfiguração», no fascículo oito da segunda série dos Cadernos de Poesia, de Julho de 1951:

Deixa-me adormecer e não perguntes nada.
O mundo foi brutal e a vida foi comprida
nos seus desenganos de coisa perdida.

Deixa-me ficar nesta atitude sem gestos.
Leva para trás a hipocrisia das falas:
o silêncio é um corredor que vai dar a muitas salas.

E agora vai-te embora que eu quero ser sòzinho.
A morte não tarda e eu hei-de recebê-la
tão grave como o céu perante uma nova estrela.

~ por pedroteixeiraneves em Julho 4, 2010.

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