escola sem chumbos – o ensino ao contrário

A propósito de escolas sem chumbos e outras derivas ministro-pedagógicas não atribuíveis a outra coisa que não às altas temperaturas que se fazem sentir…
Ultimamente, tenho reparado nas lojas em centros comerciais que procuram empregados que, justamente, nos pequenos papéis nas montras onde anunciam aos passantes tais pretensões, se foge ao termo «empregado/a» preterido em favor de um mais politicamente correcto «Procura-se Colaborador/a»… Do mesmo modo, uma «mulher a dias» é hoje profissão que já não existe, tratando-se antes de alguém que é apenas designada pelo seu nome próprio; do género «A Paulineide vem cá hoje fazer umas horas», quando se trate de profissional brasileira, «A Marieska vem cá hoje passar a ferro», quando a sua proveniência esteja a Leste, ou, quando muito e em se tratando de oficiante de longa data e de cêpa nacional, «A Dona Maria vem cá hoje dar uma ajuda»… Mulher a dias? Não há! São apenas dois exemplos, mas haveria mais, caso dos varredores de rua que são hoje «encarregados de limpeza», ou, quem sabe mesmo, os outrora cabeleireiros agora vertidos, não me custa imaginar, a «técnicos capilares» ou coisa que o valha…
Voltando ao princípio. É curioso como estas alterações diplomáticas na denominação dos cargos profissionais tem também corroído o edifício da educação nacional. Vejamos, esta ideia recente e peregrina das escolas sem chumbos é apenas mais um degrau na escada da patetice em que tem caído o ensino. O degrau anterior, se se recordam, era a história dos alunos «retidos», atenção não «chumbados» mas «retidos» — pensará a ministra que o termo chumbado era um termo demasiado forte, demasiado bélico, quer dizer, chumbado equivale a dizer que um menino levou com chumbo!… Violência, pois claro, coitadas das crianças! Erradique-se o termo!
Retido, escola sem chumbos?!!! Lembra-me uma passagem de uma peça de teatro que escrevi. A acção passa-se no futuro, não muito longínquo, e uma das personagens é uma professora que chega a casa de rastos e num tal estado de nervos que uma amiga lhe pergunta: «Então, foram os alunos?… Deram-te nota negativa?… Chumbaram-te?…» É, será delírio ficcional, acreditemos que sim, mas será mesmo, estaremos assim tão longe dessa realidade ao contrário que nos querem vender?

~ por pedroteixeiraneves em Agosto 7, 2010.

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