histórias fulminantes

Para matar o tempo resolveu destruir relógios com o martelo. Em menos de nada, a uma das batidas mais violentas, deparou-se com um contratempo, o ponteiro das horas saltou disparado indo cravar-se-lhe no olho esquerdo. Para ganhar tempo, ele próprio fez um curativo, colocou uma pala sobre o olho cego e continuou a destruição. Novo contratempo lhe surgiu em menos de nada; a uma nova batida, estilhaçando-se, o ponteiro dos minutos de um dos relógios voou em direcção ao seu olho direito. Sem perder tempo, embora cego dos dois olhos, valeu-se do tacto para continuar a sua matança. E logo, logo novo e derradeiro contratempo; ao destruir um magnífico exemplar suíço, o ponteiro dos segundos, qual virote, pulou a injectar-se-lhe no coração, agulha certeira e definitiva. Não teve tempo para mais nada.

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~ por pedroteixeiraneves em Agosto 20, 2010.

Uma resposta to “histórias fulminantes”

  1. Esta é, de facto, verdadeiramente fulminante. 🙂

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