histórias fulminantes

Encheu o prato e por onze vezes, alarve, repetiu, acompanhando com a respectiva guarnição de legumes. Ao fim da décima segunda dose dobrou-se sobre os joelhos, assolado de uma dor súbita, aguda e penetrante. Os sinos dobraram então por ele. Caiu no chão desamparado, não sem antes bater com a cabeça na panela de dobrada quase vazia. No dia seguinte, depois do dobre de finados pelo final da manhã, a mulher, dobrando-lhe as roupas para entregar à Santa Casa, descobriu uma pequena fortuna nas dobras de um casaco. À noite, entre as dobras dos lençóis, a mulher sorriu para o amante enquanto contava as notas em voz alta. «Dobra a língua, meu amor», tornou-lhe ele, «não vá o diabo tecê-las e as paredes terem mesmo ouvidos».

~ por pedroteixeiraneves em Agosto 22, 2010.

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