droperidol

o sol é o primeiro a chegar
cabelos presos na luz. vêm depois
os empregados a dispor mesas
cadeiras toldos cinzeiros. depois
os derradeiros corpos de agosto
tomando lugar e sumos
permitindo ainda a erosão do tempo
as perdas justas. pedem também
café e fumam infinitos segredos
secretas agonias
adúlteras aflições
litúrgicos medos enquanto passam os olhos
pelas revistas cor de rosa — às vezes
um livro de um autor na moda — e exalam
os últimos cios do estio
a inocência da pele. a felicidade
pode não ser isto mas algum inebriamento
ali fulmina. assim se redimem as horas
no flanco luminoso da luxúria no puro
benefício do ócio.
apagam-se por fim os cigarros
queima-se o que resta dos dias.
amanhã havemos de voltar a ver o mar.

~ por pedroteixeiraneves em Agosto 30, 2010.

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