os suicidas

131.
estava deitado sobre a cama
estendido sobre o vazio
sem compromissos reuniões consultas
horas marcadas ou agenda por verificar
todas as palavras eram então
demasiado curtas e sem sentido
só o silêncio crescia como flor
sobre a qual o sol caísse por inteiro.

132.
fosse noite
com ela caminharia
entrando pela auto-estrada
até que o traço contínuo se interrompesse
e ele entrasse em contra-mão.

133.
já nada
o defendia dos gritos
e das arestas das palavras
apenas o silêncio
a página em branco onde se despenhou.

134.
falava da linguagem e dos homens
como se lembrasse o velho carreiro
marginado de amoras e de luz;
o sangue que lhe faltava.

135.
o corpo desabado
como sirene a arder
ou têmporas martelando o sangue
rasgando o peito como vale.

~ por pedroteixeiraneves em Setembro 8, 2010.

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