9/11 ptn

o nada inaugurado
na manhã de negro e espanto
o medo estridulando por entre escombros
de luz e miséria. da poeira
erguia-se o silêncio em desespero
rumorejava sonâmbula a morte
na incredulidade dos sobreviventes.
lentamente num ir sem rumo
cego renascer
emergiam corpos voltados para a dor
tropeçando como se levassem
estacas cravadas no coração. se lhes
dissessem que a luz viria
talvez não desejassem a sede de viver.
pairava a recusa em respirar
como se mais dias não viessem. o ir
era tão-só reflexo animal um passo atrás do outro
em fuga para ver melhor o quão sozinhos
se tornavam para sempre sós
e presos daquele fúnebre acontecer. e depois
logo tão em sombras como o fundo
dos mares ali os olhares imensamente abertos
no assombro da noite em cinzas. não soube
de lágrimas — quantas lágrimas
medeiam entre a decisão de voar
e o abismo morrer? — soube sim
que deus nunca transpareceu tanto.
como um sudário a arder.

~ por pedroteixeiraneves em Setembro 11, 2010.

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