às vezes poesia – ptn

I.
às vezes pergunto-me
ou pergunto à poesia porque
nela insisto. hoje domingo à noite
encontro a resposta:
ela é a única que ainda me convida
a sair à rua a única a insistir-me
quotidiano e real.

II.
às vezes ainda
penso que a poesia se parece
com as fotografias de Arnold Genthe
São Francisco a arder
e ela assim de mim
desinteressada como Caruso
ou os muitos burgueses que saíram
então à rua a contemplar alegres
o espectáculo das chamas em fundo.
como se em adenda feliz à soirée da noite anterior:
mondaine, trés mondaine!

III.
às vezes ainda
penso que a melhor poesia se quer castrata
Farinelli Cafarelli Carlo Broschi…
ou como Giziello
frágil e desesperado a recolher-se
a um silêncio conventual após um qualquer
terramoto de versos essa tão íntima
e privada catástrofe
tão ou mais arrasadora que 1755.

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~ por pedroteixeiraneves em Outubro 11, 2010.

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