quem greve, não teme – considerações súbitas em torno da greve

I
quem greve, não teme.
quem não greve, não deve.

II
os grevistas (de barriga vazia)
para o administrador:
ah,
tão bonito
que dá vontade de comer.

III
a greve
só ferve
quando a 100 por cento.

IV
com voz grave
a greve diz: país
é chegada a hora
de ir para fora.

V
a greve
é um cargo
de muita responsabilidade.

VI
a greve
andapé
debigodiboné.

VII
greve
tão próximo
de grave.

VIII.
a greve
diz o fiel de armazém
é sempre fiel
aos mesmos.

IX.
as greves
correm o risco de se afastarem
da civilização.

X.
no mês dos trabalhadores
a greve é como um desmaio.

XI.
a greve
é o défice a fermentar
nas ruas.

XII.
a greve
é como um lenço colectivo
a despedir-nos.

XIII.
um político em greve
é um paradoxo?

XIV.
a greve é um mal-
-amado
nem os grevistas querem
que ela dure para sempre.

XV.
a criança esperou…
esperou… esperou… esperou…
para pedir um autógrafo à greve.

XVI.
a greve pergunta à fome: – então, de quem é a culpa?
a fome responde: – a culpa é de quem a apanhar.

XVII.
a greve tem modos de gandhi.

XVIII.
a greve não mente
ela escancara a verdade
gravemente.

XIX
a greve
não anda de transportes públicos
viaja boca a boca.

XX.
greve?
então acabo já.

~ por pedroteixeiraneves em Novembro 24, 2010.

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