teodoro

adorno

estão – desde manhã cedo. ou não estão?
contam as horas pelos remédios
tranquilos no banco de jardim
enquanto outros vigorosos
batem a bisca sobre a mesa da tarde e olham
de quando em quando
olham como se uma voz
neles se demorasse ciciando nadas. então
olham
disfarçadamente
em
volta
e vendo bem
(mesmo vendo mal)
nada vendo engolem a voz vendada
aguando os olhos
mas sem ser por nada
e retornam à cartada sobre a mesa
a bisca rabiscando a hora o ás bramindo sobre
a espada cortando os dias ali no meio da praça
(onde lírio uma dama passa
ouro puro)… atenção é preciso vigiar
os médicos prescrevem “interdito de emoções”.
virando a cara entalada nos jeans
ao compasso da vida moderna a menina zarpa
e seus corpos lentamente regressam ao silêncio.
são velhos no arrumo da vida arrumando-se como podem
enquanto a patroa não chama pelo telemóvel
para o jantar. sim eu sei é bem mais difícil envelheser
do que envelhecer. dito isto
sem adornos de maior ou pré-aviso
teodoro sai de cena
alertado pelo toque do samsung
a que carinhosamente chama sanguesuga
e o jogo acaba
ali termina por morte súbita. depois
quinze minutos passados
a ambulância. coitado do teodoro.

~ por pedroteixeiraneves em Dezembro 6, 2010.

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