os suicidas e outros suincendiários

185.
a música interior
que o seu peito repercutia
era por dentro uma ópera
demasiado bruta.

186.
durante muito tempo
preocupou-o o modo imperturbável
como as cidades não floriam
como via nelas as flores murcharem
e depois… os óleos
lançados ao mar
marés sem fuga.

187.
a sensação que tinha
era a de um romance fracassado
ou incompreendido pela crítica.

188.
por mais atenções
que votasse às suas memórias mais gratas
o passado não passava
de uma falsa protecção. só partindo
do nada poderia reencontrar-se
abolindo as negras cintilações
que lhe turvavam os sonhos.

189.
era o seu último pensamento
gostava de acreditar
que não era um ser domesticado.

~ por pedroteixeiraneves em Dezembro 27, 2010.

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