ilustrar/ escrever – ptn

cais do sodré. velho

do peso da terra as mãos e a pele beberam
negro destino e ano sobre ano o corpo mastigou a luz
dos dias levantados a medo. depois aos poucos
rompeu em rugas.

é agora um velho atravessando o cais
onde as crianças correm e pulam felizes
de nada saber.

traz a pele em desordem os cabelos mutilados
o gesto pesado nos lábios frios e secos
os olhos gastos.

é no não ver azul do olhar
uma memória líquida
apagando-se com os navios que saem a barra devagar
no marítimo ar-ir do tempo. são modos de mar
maneiras de partir que o passado lhe incrustou:
seus olhos exercem ainda o uso da sede.

~ por pedroteixeiraneves em Janeiro 3, 2011.

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