os suicidas e outros suincendiários – 206 – 210

206.
o silêncio
era nele condição dominante
até que uma lágrima de deus
nele se fez enseada
em letra pequena.

207.
por toda a parte se despedia
pondo um não em tudo o que teve nome
em tudo o que beijou
em tudo o que amou
em tudo o que gritou
digamos que aprendia
algo semelhante à cegueira.

208.
com a sede que tinha
comprou uma garrafa de bom vinho
reuniu com os deuses
e disse adeus com escárnio e franco gozo
aos mendigos que ficavam.

209.
pegou na faca e passou-a ao de leve
pelos lábios… ouviu música algures lá fora
susteve a mão assomou à janela
ao longe anjos bailavam
e era o seu nome que traziam
na canção de luz que cantavam.

210.
uma fenda
um altar de ódio arfando oferendas
um jardim de inverno
um deus veneno
um recife quebrando em pétalas
um peito em mágoas desmedido.

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~ por pedroteixeiraneves em Fevereiro 15, 2011.

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