os suicidas e outros suincendiários

211.
aos negros cisnes do lago concorria
a sua sombra vogando pelas margens
volteando silêncio e pedra
sequer já discutindo
o naufrágio de solidão em que se afundava
as ondas que o confundiam
com a eternidade.

212.
um anjo veio à sua porta
sentou-se à sua mesa
comeu do seu corpo
bebeu do seu peito
não precisou sequer de perguntar
pedir licença
no fundo já o trazia em si
e finda a refeição recobradas as forças
juntos partiram de mãos dadas
desaparecendo num linho de luz
que logo, logo se fez penumbra
e esquecimento.

213.
não mais o cão dos dias
a besta das horas
a cesariana vida. não mais
deuses por inventar
ou consciências pesadas. não
mais os filhos tão bonitinhos
os dias e as manhãs claras
os radiosos amanhãs. não mais
a breve eternidade das íntimas maresias
a supliciante água da infância.
não mais o crematório. o vão dizer.
assim. tão-só a água depois da chuva
escorrendo a rua suja.

~ por pedroteixeiraneves em Fevereiro 23, 2011.

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