o ivo machado tem um novo livro de poemas, seguido de dedicatória

Movimento

De palavra em palavra como num despacho,
o ponto abstracto do navio no horizonte
navegando à totalidade do cais decifrável

chegaste plena
como os cavalos aturdidos no poema
ou no corpo imperfeito
à proa do navio mercante
(essencial e urgente)
onde os cavalos golpearam o lume inconsumível

E de substrato em substrato
a noite apregoando que a palavra
é um cavalo de náutica perpétua.

ivo machado

——–

dedicatória

o meu amigo ivo machado tem um novo livro de poemas
fala de barcos e de versos que navegam
diz de afectos e veias e pele
diz do tempo e do modo como os navios
o desfiam numa infinita linha de horizonte.
o meu amigo ivo diz dos domingos
e da solidão das cidades quando girassois
regressam a casa cansadas pelo trânsito.
c’est comme ça, os males dos imortais!
o meu amigo ivo escreve por vezes
a palavra nostalgia
sobretudo quando escreve a palavra mãe
mas também por isso mesmo
escreve poemas. e então tudo vale a pena
e tudo faz mais sentido
os dromedários às portas de Erfoud
as oliveiras em Gaza
e até mesmo domingos antigos em fotografias
ratadas e de cores esmaecidas.
o meu amigo ivo
por vezes parecendo esquecer que a sede
e os versos lhe procriam na alma. acreditem
já ninguém recebe cartas pelo correio
eu tinha a caixa postal cheia de poemas.

~ por pedroteixeiraneves em Março 18, 2011.

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