os herdeiros do silêncio

(e) nós (?) os herdeiros do silêncio
nós que estamos faz muito tempo dentro do tudo e do não.
que vasculhamos ainda o impossível em busca da espessura
das palavras rasurada. nós sem entender sem sequer questionar
procurando em vão o silêncio inaugural à medida que nada descobrimos
senão o vento. e saber: que depois do dito e redito só a morte
convoca a poesia como memória dos lugares primeiros.
e aceitar: que a primeira sede há muito se liquefez
em utopia. e entender: que uma pedra atirada ao vazio
apenas encontrará o eco da nostalgia a reverberação
última da linguagem original. assim hoje estamos
só estamos. assim por dentro de uma fala muda
no mais escuro e dentro de vocábulos cegos a nada
numa busca vã por um rumor poético que seja –
paleolítico-paralítica-inscrição numa qualquer gruta do passado –
uma qualquer ideia de partida onde a luz se inscreva
enquanto possibilidade indício de espaço ou fenda
no qual o verbo possa medrar a sua utopia cantada. estamos.
estamos?

~ por pedroteixeiraneves em Março 22, 2011.

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