foi há poucos dias, em estevais de mogadouro, onde fui entrevistar e fotografar rentes de carvalho. um excerto e um retrato tirado no interior do lagar de azeite

A sua necessidade de regressar assiduamente a Estevais prende-se com o quê exactamente? É coisa de raízes?
Não, não, estou há 56 anos na Holanda, se há raízes que me prendem – tenho lá família, mulher, filhos, netos… — as minhas raízes estão lá. Mas, há uma coisa atávica… Eu aqui não sou estrangeiro. Eu, lá, mesmo depois de 56 anos, sinto-me estrangeiro.

Mas isso é de si, ou fazem-no também sentir-se estrangeiro?Não, eu sinto. Nunca escrevi personagens holandesas, enfim, no «A Amante Holandesa» há uma personagenzita. É que não há um entrosamento com aquela alma, é uma alma totalmente diferente. Eu funciono muito bem com o holandês, sou quase um native speaker… Eu sinto-me lá bem e confortável mas a minha alma não está lá. Aquilo para mim é uma identidade de empréstimo, aquilo não sou eu, ou então sou outro.

O Rentes é muitas vezes apontado como alguém que sabe do que fala quanto ao que seja a identidade portuguesa. O que é ser-se português, afinal?
É aquela coisa que nos leva a gostar mesmo do estupor da terra em que nascemos e a achar que água que seja melhor nunca bebi.

~ por pedroteixeiraneves em Julho 5, 2011.

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