capas imaginárias – doença do século

a)
pelo andar da carruagem
(estranha gente vai nela)
não é difícil prever
que a poesia
será a próxima doença do século.

b)
um verso pressente-se
tal como uma discussão a chegar
no andar de baixo.
com uma diferença: um verso
discute-se a sós. o cansaço
esse é o mesmo.

c)
é algures num corredor da fnac:
retira os sapatos descansa os pés
remexe o saco de plástico com os dedos e abre
(e é esse barulho que me desperta para a cena)
sobre o colo a merenda. depois com prazer audível
trinca uma ameixa verde que mastiga
enquanto o marido não regressa e regressa
com fragmentos de Novalis debaixo do braço. por instantes
julguei ter-me enganado na prateleira da poesia.

~ por pedroteixeiraneves em Julho 22, 2011.

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