pouca terra muita terra







pouca terra muita terra pouca terra
a terra inteira e primeira
terra nascente terra poente
das primeiras águas trespassada
a silêncio e escarpas
pouca terra muita terra pouca terra
o comboio passa quase absurdo a romper
o ar puro que os pulmões e os olhos confirmam
pelo peso da luz o arrastar dos olhares
um abraço tão terno que podia ser um disparate
pouca terra muita terra pouca terra
a locomotiva contorce as encostas
os bancos incómodos torcem as costas
o revisor parece não condoer-se
ao passar dos pássaros em melodia azul
pouca terra muita terra pouca terra
quero a força desta terra
quero domingos para viagens trôpegas
quero limpar as lágrimas da memória
ao braço de rio que corre nos teus olhos
pouca terra muita terra pouca terra
e tanto nada.

~ por pedroteixeiraneves em Novembro 29, 2011.

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