recuperação de um micro-conto que reescrevo por ocasião do jubileu daquela querida de sua graça Isabel II

Súbditos de primeira, aqueles que por nada perderiam estar o mais perto possível da sua rainha, saíram de suas casas ainda madrugada, alguns mesmo no dia anterior. Acampados nas margens do rio, resistindo patrioticamente ao frio e à chuva, à medida que o grande dia clareava foram vendo chegar milhares de pessoas que também vinham prestar homenagem à monarca no dia do seu Jubileu de Diamante. Havia anos que ninguém a via presencialmente, as fotografias chegavam pelos Media, ninguém sabia exactamente como aparentava. Como pois perder esta oportunidade? As emoções intensificavam o clima de festa. Havia bandeiras, champagne, música, um frémito que apenas sossegou quando ao fim da rua viram surgir os primeiros penachos dos guardas reais montados a cavalo. Logo depois, a imagem da carruagem real a materializar-se. Nela, espreitando e acenando ao pequeno postigo, a monarca sorria. Estranhamente, o povo calou-se, afundado num silêncio de espanto e desconfiança. Um buço, um tremendo buço real proliferava por cima do lábio superior da rainha. Sim, era ela, jubilosa, aquele olhar não enganava, era ela, mas… apenas o buço, o terrível buço! «The show must go on»… ouviu-se alguém gritar. E em uníssono, quase como resposta, a multidão britânica mostrou então porque era seu apanágio o humor. A uma só voz todos gritaram: «God shave the Queen».

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~ por pedroteixeiraneves em Junho 5, 2012.

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